Encontrando a história

Estamos pesquisando as barbearias de São Paulo há quase um ano. Eu, o Luiz e o nosso pesquisador, o Arturo, rodamos a cidade, desde a zona Leste até o interior do Morumbi, do barbeiro tradicional que há 50 anos corta em uma galeria do centro da cidade até garotos no estilo Rockabilly que fazem sucesso na Augusta.

Sábado movimentado no salão Lírico

Depois de muitas idas e vindas, muitos cafés e cervejas na Olé discutindo sobre o tema, chegamos a algumas conclusões que nos levaram a encontrar a história que queríamos contar. A primeira conclusão foi que há um tipo de barbeiro que está morrendo. Surgem novos de outros estilos. Mas o barbeiro clássico, aquele da década de 50 que não deixa gente mal arrumada entrar na barbearia, que não sabe fazer “moicano”, esse sim está morrendo. Hoje é muito mais fácil fazer a barba em casa, e a própria vaidade dos homens mudou. Muitos desses barbeiros têm uma história em comum: seus filhos estudaram, estão de vida e querem que eles parem de trabalhar. Nenhum para, aquilo é a vida deles.

Foi nesse contexto que tivemos certeza do tipo de história que íamos contar. Decidimos trabalhar em cima desse barbeiro que está para sumir, antes que surjam novos com outros estilos. Na pesquisa do Arturo, encontramos o Seu Gaspar, do salão Lírico. Ele caiu que nem uma luva no projeto. É um personagem incrível, muito próximo daquele barbeiro romântico que estávamos procurando quando começamos a conceber o filme.

Há uns  oito anos atrás, sua esposa ficou cega. Desde então, ele não faz outra coisa além de trabalhar e cuidar dela. Como ele é um grande apreciador de música clássica, queríamos levá-lo à Sala São Paulo ou ao Teatro Municipal. Ele cortou na hora: “Minha vida é trabalho – casa, casa – trabalho.

Seu Gaspar fazendo a sua arte

Logo depois, surgiu o Seu Osny. Boa gente, ele  parece aquele típico malandro do centro de São Paulo, parece que saiu de uma música dos Demônios da Garoa. Ele não pára quieto, conhece todo mundo da região e acha que vive melhor quem brinca e faz piada. Nesse jeitinho, ele acaba cativando.

 

 

Por último, procuramos um barbeiro diferente. Encontramos longe, bem longe, em um ponto lá na Ermelino Matarazzo, na Zona Leste. O Rubinho é completamente diferente. Parece uma que trabalha em uma barbearia do interior, ou do que São Paulo foi um dia. Ele conhece todo mundo do bairro, e os funcionários que trabalham naquela rua vão até o seu salão para usar o banheiro. De vez em quando, aparece um bêbado para bater papo. Bem legal.

Ficamos meses pensando na história, imaginando situações, querendo encontrar clímax e conflitos nesses personagens. Um certo dia, em uma conversa de bar, contei sobre nossos personagens e alguém me falou: “O que você tá procurando? Com esses personagens, a sua história já está feita.” Aí eu me toquei o que é este documentário e como estamos bens servidos de material. Queríamos fazer um panorama de todos os barbeiros da cidade, mas com esses três, com certeza teremos muita história para o filme.

 

Tabela de preços do Salão Lírico


 

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Sinopse

Quem são esses velhos senhores que há décadas permanecem ali, sentados em suas tradicionais barbearias resistindo às mudanças dos tempos?

Seu Gaspar, Rubinho e Osny são três barbeiros de São Paulo e os personagens deste filme. Completamente diferentes, eles de certa forma, mantém sua profissão porque acreditam nela. “Barbeiros Paulistanos” é um curta-metragem documentário que vai entrar na vida destes homens, resgatar a história do antigo costume de fazer barba, cabelo e bigode em uma barbearia, e entender como estes “profissionais da navalha” enxergam  os dias atuais, onde poucas barbearias tradicionais sobreviveram.

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